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Aulas de história e geografia em SP poderão ter professor sem formação na área

Rubens Cavallari – 8.fev.21/Folhapress

 

Por Isabela Palhares

Sem conseguir contratar professores para atuar nas escolas estaduais, o governo Rodrigo Garcia (PSDB) alterou uma resolução para que profissionais sem formação específica na área possam dar aula.

A mudança vai permitir que professores com diploma de pedagogia sejam contratados para dar aula de história, geografia, sociologia, filosofia, arte, projeto de vida e orientação de estudos.

A resolução também permite que estudantes de cursos de licenciatura a partir do quarto semestre sejam contratados para dar aula das disciplinas que cursam. Há ainda a autorização para contratar profissionais que tenham diploma de bacharelado ou curso de tecnologia, ou seja, sem formação em educação.

A resolução foi publicada no Diário Oficial do Estado no dia 10 deste mês, mas as novas regras passaram a valer a partir na última segunda-feira (20).

Há nove anos sem concurso público e com a implantação de novos programas que aumentaram a carga horária nas escolas estaduais, o Governo de São Paulo não tem professores em número suficiente.

A Folha mostrou que, já quase ao fim do primeiro semestre letivo, 17% das aulas nos chamados itinerários formativos —parte do ensino médio que os estudantes podem escolher de acordo com os seus interesses—ainda estão sem um professor atribuído. Ou seja, os estudantes passaram metade do ano sem ter as aulas previstas. Segundo a Seduc (Secretaria Estadual de Educação), essas aulas têm sido preenchidas com conteúdo do Centro de Mídias.

A Seduc diz que a autorização ocorre em caráter extraordinário e que mantém a contratação preferencialmente por professores com formação específica nas áreas curriculares. “A alternativa é necessária para garantir o direito à educação de todos os estudantes da rede”, diz.

Para especialistas em educação, a mudança não resolve a raiz do problema: a falta de professores na rede, que vem da falta de concurso público, baixos salários e desvalorização da carreira docente. Elas também destacam que o déficit deste ano resulta da falta de planejamento para a implementação de novas políticas.

“É um remendo muito malfeito na tentativa de resolver rapidamente o problema. Mais uma vez vão jogar mais problemas para dentro da escola, porque vão contratar pessoas sem formação e sem experiência para atuar em sala de aula”, afirma Débora Goulart, professora da Unifesp e integrante da Repu (Rede Escola Pública e Universidade).

A falta de profissionais foi constatada por estudo feito pela Repu, que apontou também maior déficit de professores em escolas com pior nível socioeconômico.

A secretaria relaciona a falta de professores à maior oferta de aulas no novo ensino médio e à ampliação do PEI (Programa Ensino Integral), vitrine eleitoral do governador. Desde 2019, o número de escolas de tempo integral no programa passou de 364 para 2.050.

“A secretaria trata o déficit como se fosse um acidente de percurso, algo que não pudesse ter sido previsto. Quem comandava a pasta sabia que os programas iriam aumentar o número de disciplinas, de aulas nas escolas e que haveria maior necessidade de professores. E ainda assim não contrataram”, avalia Ana Paula Corti, professora do IFSP.

Leia na íntegra: https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2022/06/aulas-de-historia-e-geografia-em-sp-poderao-ter-professor-sem-formacao-na-area.shtml

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